sábado, 11 de julho de 2015

Reaça #2

"As vezes eu me sinto mal quando leio os seus textos, 
porque parece que eu sou uma pessoa ruim e te faço muito mal"

trilha sonora oficial: https://www.youtube.com/watch?v=pkae0-TgrRU

Constatei nesses últimos dias que eu adoro comparações e odeio igualações. E isso me fez pensar muito sobre as coisas que sou e que fui. Penso que tanta coisa aconteceu no meio do caminho que eu tive perdas e ganhos. Também penso que eu estava correndo atras da felicidade diária como qualquer outro. Eu não sei bem o que é isso, por isso eu paro pra analisar as pessoas e o que elas precisam. Não acho que é necessário dizer que você é quem eu mais observo e não só por estar mais próxima e presente, mas também por ser absurdamente linda e atraente - por dentro e por fora.
Sinto que sua felicidade cotidiana é pequenininha, não em tamanho, mas em detalhes. Um doce, um beijo, um abraço, uma surpresa, ou uma oportunidade, algo que saia dentro do planejado. Não te vi sorrir tantas vezes quanto desejava, também não te vi eufórica toda a vez que te encontrava. Acho que te vi mais exausta do que qualquer outra coisa. Perguntei muito a mesma mim o porquê daquilo.
Percebi pensando neste tempo - desde que te conheci, até agora - que você tem uma ideia bem mais clara do que eu e é uma dica bem útil: você consegue distinguir o que acontece na sua cabeça, e o que acontece no mundo lá fora. E não acredito que isso seja ser realista, necessariamente, porque sua natureza em si é sonhadora. Você é cheia de desejos, muitas vezes impossíveis. Acho que isso é ter clareza do que é necessário na vida, do que dá pra viver sem dizer, sem mostrar, sem fazer, e do que não dá, é extremo de necessário. Esta foi a sua maior contribuição para o ser humano que sou hoje. Sempre que me pego naquele pensamento de que minha vida está uma merda, mesmo sabendo que no fundo, ela só está uma merda na minha cabeça, porque eu faço os meus problemas parecem maiores do que são e valorizo demais meu sofrimento. Você me faz perceber isso num piscar de olhos.
Tenho raiva muita vezes. Tenho aquela vontade colossal de te agarrar pela gola da camiseta e te  empurrar na parede gritando: "mas o que é que você fez comigo, mina?" (usando as gírias de um jeito usualmente seu de falar). Você não fez nada. Só deu um cheque-mate na minha insegurança habitual, você só me fez parar pra pensar que eu estava vivendo nas selas que mesma me coloquei, enquanto eu só me preocupava em não deixar me selarem. Sabe... Você não fez nada além de me fazer sentir a vontade para assumir as coisas que eu sou (e não sou) e que eu gosto (e que não gosto).
Eu gosto de mangás desde que sou criança, eu também curto super-heróis e violões clichês porque nunca vou conseguir ser como eles. Meu armário é composto 90% de roupas vermelhas e pretas, eu não gosto de usar sapatos de salto alto. Eu adoro blusões e jaquetas, gravatas e camisas. Eu não tenho paciência para quem fala demais - mesmo que eu fale para caramba. Eu tenho preguiça de me socializar, as vezes. Eu crio problemas e dramas que não existem. Eu dificulto a minha caminhada nos relacionamentos, porque eu sou insegura socialmente. Eu tenho medo de assumir que simplesmente não me importo com algumas pessoas, porque tenho pena de deixa-las. Eu sou apegada e teimosa, crio caso por algo que pode ser conversado. Eu sou paciente, e compreensiva. Eu digo muito não para mim mesma muito sim para os outros. Eu sou distraída e observadora, ao mesmo tempo. Uma das coisas que me faz bem é desenhar. Sou boa com as mãos e um clichê em pessoa. Ou talvez, só sou uma completa confusão adolescente.
E eu poderia continuar uma lista inteira de coisas que agora eu tenho coragem de dizer que fazem parte de mim, porque você me fez ficar confortável com isso. Alguns desses itens são pequenas felicidades para mim, você me mostrou isso. Os seus anos de caminhada a mais também serviram para me dar um tapa na cara quando foi necessário. E neste tempo que se passou, eu continuei pensando nas formas que eu poderia te agradecer (e te dar aquele "presente" a altura que eu tanto procuro), não só por todas essas pequenas felicidades que você me apresentou, ,mas por estar presente em momentos importantes da minha vida, como meu primeiro passeio num bi-articulado. Foi incrível, é sério. 
Espero que neste dia, todas as pequenas felicidades da sua vida se multipliquem pelo triplo do numero de estrelas no universo. E que este ano a mais que você está ganhando pro seu diário de jornada na terra também sirva para te fazer descobrir outras felicidades, para te apresentar outras oportunidades e muita gente nova. Espero que você continue distribuindo abraços apertados e muita bronca com grito por isso, e que mais ainda, você também seja muito amada. Desejo que seus zilhões de pensamentos por segundo a todo o momento e sua escrita ligeira se transformem em bons textos pra aconchegar o Facebook e o coração alheio. Parabéns por mais esta primavera.


Bruna Ferrari

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